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Kenzo Tominaga



Biography of Kenzo Tominaga


Na cadência minimalista

Fabiana Caso

Menos é mais. Esse é o lema do DJ e produtor paulistano Kenzo, que aos 24 anos, é uma das revelações da cena eletrônica. Em sua carreira, ao invés de acrescentar, foi abstraindo. Até chegar à receita estética que reúne as bases eletrônicas contínuas e mântricas à precisão de elementos musicais cuidadosamente colocados. O resultado é o minimal techno repleto de atmosferas, arquitetado como uma sinfonia contemporânea. É a bordo dessa sonoridade que ele lança o primeiro EP, intitulado Sapukai, pelo selo italiano Sun Play. Uma das faixas foi remixada pela produtora japonesa Akiko Kiyama, referência internacional do mesmo estilo eletrônico que tem influenciado até artistas do pop.

Produtor prolífico, Kenzo tem um repertório de cerca de 50 músicas. Tanto, que sua música despertou interesse em netlables (selos da internet) ao redor do mundo. Têm dois EPs virtuais lançados: Raoult, de 2007, pelo selo romeno 3 Liquid Hz Records; e Atmicrospheric, de 2008, pelo brasileiro Transmit Music. No mais, suas faixas também integram uma compilação virtual lançada pelo selo alemão Auflegware e no ano passado ele assinou um remix para o DJ Rafael Kamogawa.

Desde cedo, os sininhos da música atraíram a mente de Kenzo Tominaga –nome de batismo do DJ, que também é conhecido por Tominugen. Com o avô materno libanês, aprendeu a gostar da cadência do jazz e blues. Já com os ascendentes paternos japoneses, foi iniciado na arte da persistência e do esmero em cada atividade. Aos 7 anos, depois de ver um livro sobre os gênios da música, descobriu e se encantou com a música de Wolfgang Amadeus Mozart. A tal ponto, que pediu de presente de Natal a coleção com 10 CDs do mestre do período clássico. “Só ganhava um presente o ano todo, então tinha que escolher bem”, justifica. Também era comum ouvir as intrincadas fugas de Johann Sebastian Bach nessa tenra idade.

Foi estudar em uma escola de música, e apesar de dizerem que tinha mais aptidão para os instrumentos de sopro, insistiu em aprender piano – por causa de Mozart, claro. Dedicou-se ao instrumento dos 8 aos 14 anos – época em que voltou sua atenção para os esportes. Destacou-se então no skate, wakeboard e lutando jiu-jítsu.

Mas no meio tempo, aos 11 anos, ficou impressionado com a audição da música eletrônica underground, um tecno trance da época. Era a época das primeiras raves mundiais: Kenzo tinha notícias delas através do pai de um amigo seu: o publicitário Luciano Kurban, que também trazia os disquinhos eletrônicos mais quentes do Velho Continente. “Foi então que eu me dei conta de que havia um trabalho criativo do DJ: as faixas tinham começo, meio e fim. Parecia um filme de ficção científica: percebi que aquela era a música do futuro”, lembra.

A partir de então, ele passou a se ligar em música eletrônica, ao mesmo tempo em que comprava centenas de discos de estilos variados. Com a mesma determinação de quem se dedicou aos esportes, aos 18 anos aprendeu a discotecar em pick ups com o amigo e DJ Márcio Freitas. Começou tocando em festinhas. Mas logo chamou atenção e levou seu set eletrônico para raves como a Deep e clubs como Lótus, Rec, The Lux, Bar Treze e D-Edge. Tocou também no festival Universo Paralelo, na Bahia e no Cocoliche, em Buenos Aires, Argentina, juntamente a Akiko na festa de lançamento do seu EP. “Desde o começo estava decidido a tocar, me divertir e compartilhar isso com meus amigos.”

Depois de fazer um curso de engenharia de som, começou a produzir os próprios beats. Destrinchou o house e evoluiu para a linguagem minimalista que caracteriza seu som até hoje. “Minhas músicas têm harmonias diferentes, melodia, acordes, atmosferas e um swing latino: não é maquinal.”

O ecletismo musical perdura até hoje. Em seu player, rodam desde os compassos eruditos de Mozart e Bach até música brasileira, passando pelo rock e dinâmica black do jazz, rap e R&B. “Escuto de tudo, pelo menos para entender como o artista pensou aquela sonoridade,” diz ele, que vê ecos das batidas mântricas tanto no grupo alemão Kraftwerk como no pagode. Entre outras referências musicais, também admira o DJ e produtor Ricardo Villalobos; o compositor, cantor e produtor R Kelly; John Thomas; Cabanne; Yoshihiro Hanno; Akufen e Fumiya Tanaka.

Diariamente, além de produzir, Kenzo comanda uma mesa de oito canais no Scratch Studio – lá produz jingles, trilhas de publicidade e artistas. Já à noite, toca em clubs como o D-Edge. Apesar de não gostar tanto de computadores, acaba passando a maior parte das horas em frente ao monitor, arquitetando beats. “Gosto de me sentir produtivo. A música acaba com meus problemas, eu esqueço de tudo. Ela me traz uma felicidade incondicional e me dá força”, diz ele, que costuma visitar a França e Suíça uma vez por ano para saciar sua sede por novos vinis e encontros com DJs e músicos europeus.

Em São Paulo, mora em uma casa e curte os seus dois cães bulldogs. Mas sempre que pode escapa para a praia ou para o mato, que o inspiram a compor. “Já tive 15 tipos de micose diferentes, porque adoro pisar na terra descalço, sentir a vibração do lugar.” Com a sua música, ele passa vibrações mais urbanas, bem no ritmo do século 21, porém inspiradas no poder de repetição explorado desde os primórdios.

MySpace: www.myspace.com/kenzotominaga




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